GUERNICA

“GUERNICA” é um óleo sobre tela de autoria de Pablo Picasso, datado de 1937. Executado para o pavilhão da República Espanhola, na Exposição Internacional de Paris, o painel tem as dimensões de 350 x 782 cm. Encontra-se actualmente exposto no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid. Para muitos esta obra é a síntese da força e da energia do artista.

O acontecimento que inspirou o conhecido quadro de Picasso foi a própria cidade de Guernica, capital da província Basca, a qual a 26 de Abril de 1937, foi alvo de bombardeamentos por parte de aviões alemães (Legião Condor) por ordem do General Franco. Dos 7000 habitantes, 1654 foram mortos e 889 feridos. A destruição de Guernica foi a primeira demonstração da técnica de bombardeamentos de saturação, mais tarde empregado na 2ª Guerra Mundial. O Mural constituiu uma visão profética da desgraça.

SIMBOLISMO

Há pouco simbolismo evidente no quadro, e Picasso não seguiu qualquer linguagem simbólica bem definida, tal como em grande parte da Arte Moderna, o simbolismo é particular e pessoal e só pode ser decifrado nessa base. Se existe uma chave para a compreensão da obra de Picasso, ela encontra-se nos olhos por ele pintados. É tão grande a importância de tal órgão que o espectador sente-se imediatamente por ele atraído. No entanto, ao pretender dar maior significado à expressão do conjunto estabelece novas associações entre cada traço do rosto e o meio exterior. Aliás, o motivo essencial da criação do Cubismo foi precisamente esse desejo de dissecação, de analisar os objectos para poder reconstitui-los sobre a tela, relevando a estrutura interna e os elementos que nos estão escondidos. A ausência de cor, ou seja o monocromático é apropriado ao tema do quadro, ainda hoje politicamente controverso em Espanha. O simbolismo da cena resiste a uma interpretação precisa, apesar de vários elementos tradicionais.

DISCRIÇÃO DO QUADRO

Em primeiro plano no quadro, está uma figura fragmentada com a cabeça cortada, à esquerda, e um braço também cortado, ao centro, agarrando uma espada quebrada, emblema bem conhecido da resistência heróica. Junto à espada quebrada encontra-se uma flor, como uma mensagem de esperança numa vida nova, apesar das tentativas do Homem para a destruir constantemente. A comovente delicadeza da flor parece aumentar o horror geral da cena caótica.

Ao contrário da afirmação do pintor acerca do touro presente no quadro, representar a brutalidade, a imagem é ambígua, não parecendo selvagem, estando a abanar o rabo. A presença do touro deve-se também ao fascínio que Picasso sempre sentiu pelo espectacular e brutal desporto nacional tourada aparecendo frequentemente a imagem de arena nos seus trabalhos.

Entre as complexas imagens cubistas de "Guernica", a mãe e o filho é imediatamente interpretado. Uma criança morta pende inerte nos braços da mãe. O grito da mãe está representado pela língua que sugere um punhal ou um estilhaço de vidro. Formas semelhantes aparecem um pouco por todo o quadro. A angústia no rosto da mulher que segura a criança é especialmente penetrante, talvez aumentada pelo contraste entre o estilo do rosto e a representação mais convencional da criança.

Embora Picasso raramente desse interpretação aos seus trabalhos, disse que o cavalo ou a angústia do cavalo, que se encontra no centro, representa o Povo.

Por cima da cabeça do cavalo, está um candeeiro eléctrico aceso, em forma de sol, que sugere o "olho de deus" que tudo vê.

No lado direito do quadro, duas mulheres olham horrorizadas para o cavalo ferido com medo e pena, sugerindo certas semelhanças, em conceito, com as imagens de Cristo na cruz e a presença das três Marias em cena. Picasso procurava talvez uma imagem moderna e secular para exprimir o sofrimento humano, mas uma que não tivesse qualquer simbolismo cristão explícito.

A figura à direita do quadro parece estar a ser consumida pelas chamas de um edifício a arder. Esta figura é também frequentemente comparada à figura central de "os fuzilamentos" do 3 de Maio de 1808 de Goya. Existe ainda uma semelhança entre os elementos que levaram a ambos os quadros: os dois foram inspirados em actos de selvagem brutalidade contra pessoas inocentes.

MM